Primeiros Erros
E ela ligou para me saber onde estava, que já havia descido. Chovia. Eu tinha acabado de falar contigo. Começou a tocar "Primeiros Erros" no rádio e chovia. Abri a porta do carro, ela entrou e eu a beijei. Não falamos nada por uns quinze segundos, mas o carro dizia que mais de vinte minutos haviam se passado quando ela então pediu para que eu falasse alguma coisa. Falei pouco aquilo que havia lhe dito antes, no calor da noite de inverno: que as palavras não me ajudavam agora. No frio inédito, a chuva trazia desastres de carros pelas ruas, mas meu espírito estava todo em sua boca, as cores já não faziam diferença. Era isso. Não tiro fotos, muito menos do invisível. Mas eu escrevo. Por acidente, eu escrevo. Queria dividir uma visão contigo, sem câmeras, sem idéias.
Hoje saio com ela pela última noite e, amanhã, pára de chover. Das brasas que, longe dali, se apagaram sob a chuva, ninguém pode dizer o que será.
Escrito por nihil às 00h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|